Uma das mais importantes questões que se coloca à prática artística no horizonte da media art reside na reflexão sobre uma estética e um discurso em que, aparentemente perdida a espontaneidade, parece flutuar, à vista desarmada, num minimalista mar de semântica.
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Violeta Moura
2008.09.25
O “efeito Web” transformou e redefiniu a relação entre experiência e técnica, transformando de forma irreversível as fundações materiais da existência física no tempo e no espaço. A abordagem teórica ao fenómeno da cibercultura divide-se em dois lugares opostos.
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Filipa Costa
2008.09.25
A questão sobre a dinâmica da estrutura subjacente ao processo mediático tem sido um assunto largamente debatido no circuito dos estudos sobre comunicação. Esta problemática tem sido, no entanto, relegada para uma esfera de reflexão teórica especializada. Na maior parte das vezes, esta não consegue concluir o movimento para uma aplicabilidade e reconhecimento empíricos de situações acessíveis a uma leitura menos especializada que exige uma explicação tangível para o fenómeno mediático e o modo como ele actua nas estruturas de apreensão de realidade quotidiana.
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Violeta Moura
2008.05.14
A peça 4´33´´, de John Cage (1952), momento canónico da vanguarda do pós-II Grande Guerra, é um espaço deixado em aberto onde o silêncio se sobrepõe ao silêncio, tal como nas all-white paintings de Rauschenberg, o branco se sobrepõe ao branco, formando, como o próprio dizia, superfícies onde o pó, as luzes e as sombras se enquadram. Estes são dois marcos decisivos para o posterior desenvolvimento dos movimentos das neo-vanguardas. Mas constituem também momentos que, em vários aspectos, preconizam o desenvolvimento de práticas artísticas actuais a que habitualmente nos referimos como media art.
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Miguel Fukutomi
2008.03.03
A Internet surge como parte de um processo evolutivo da cultura digital, uma resposta aos seus desejos e receios — a necessidade de comunicação, de informação e conhecimento, bem como de ferramentas de criação e expressão cultural. Com um período de existência inferior a duas décadas, o seu uso expandiu-se para centenas de milhões de utilizadores em todo o mundo, que rapidamente se familiarizaram com a tecnologia e começaram a utilizá-la para todo o tipo de actividades. Desde a sua adopção global, a Internet tem mudado dramaticamente o nosso quotidiano e afectado os nossos conceitos tradicionais de cultura. Novas tecnologias cada vez mais acessíveis facilitaram tarefas outrora complexas, revolucionando o modo como é tratada a informação, como é publicada, transmitida, pesquisada e acedida. A cultura da Internet tornou-se também na nova contra-cultura, a que se opõe ao mainstream e aos condicionamentos da norma geral. E com a chegada de uma nova contra-cultura, é comum vir atrás a crítica e o medo que o fim possa estar próximo. “Será que a Internet está a matar a nossa cultura?”
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Sónia Soares
2008.02.24
É comum admitir a existência de dois géneros cinematográficos opostos, o género ficcional (que reclama a imaginação) e o género documental (que reclama a razão). Mas não será este pressuposto redutor? Supor uma oposição poderá conduzir à ideia de recusa de um pelo outro e consequentemente à aceitação de uma barreira intransponível entre ambos. Para aceitar uma distinção definitiva, teríamos de determinar, pelo menos, uma divergência inultrapassável, de traçar um limite que, impedindo (ou inibindo) a confusão dos corpos, permitisse a apreensão por oposição. A ficção e o documentário divergiriam nas suas relações com a realidade. Enquanto o filme ficcional a consideraria um começo, porque derivaria a partir dos seus dados, o filme documental considerá-la-ia um fim, porque pretenderia reflecti-la. Parece, no entanto, injusto confinar a ficção à deriva falseada e subordinar o documentário ao reflexo verdadeiro; afinal, há derivas verdadeiras e reflexos falsos. A realidade não é una, é múltipla. Não há uma verdade, há muitas verdades.
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Helena Borges
2008.02.16
Este ensaio centra-se sobre desenvolvimentos históricos e antecedentes conceptuais que alimentam e contrastam um desenvolvimento particular da criação artística e design, que envolve a criação de experiências audiovisuais e explora a fusão entre as duas modalidades e media. Pretende-se identificar uma dinâmica de convergência entre modalidades e media audio e visuais. Desde a procura de correspondência entre artes visuais e sonoras à coexistência e unificação audiovisual digital, salientam-se os desenvolvimentos mais significativos na exploração criativa de uma equivalência perceptiva, segundo analogias e conversões entre som e imagem, como precursões de uma estética audiovisual que problematiza a noção de ‘intermedialidade’.
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Luísa Ribas
2007.07.22
Investigar implica uma relação com uma enorme quantidade de informação codificada e armazenada numa multiplicidade de formatos, meios e localizações. Enquanto que na maior parte dos contextos o vulgar bloco de notas pessoal ainda se constituirá como a forma mais expedita, próxima e até afectiva de organizar ideias e notas, a presente complexidade e a quantidade de dados infinitamente inter-conectados com que lidamos num qualquer processo de investigação, requer outras vias para proceder a uma filtragem eficaz do pertinente e do relevante.
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João Cruz
2007.07.18
No actual contexto mediático e à escala global, habituados que estamos a trabalhar mais quantidade e, acima de tudo, mais variedade de informação, a prática do Design torna-se tanto mais rica quanto maior é a diversidade de influências que a atravessa, isto é, quanto mais espelha esse cruzamento de polaridades (tradicional - actual, local - global, individual - colectivo) que constituem a cultura.
Este design, híbrido, miscigenado, traz consigo resultados enriquecidos e inspirados pela mistura das várias forças que se permeiam na cultura onde é criado, sejam a sua história ou o contexto actual mediático e à escala global.
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Rita Coelho
2007.07.03
O presente texto deriva de uma palestra proferida no âmbito da segunda edição do Ciclo “Intervenção Artística no Espaço Urbano” ocorrido na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto a 6 de Dezembro de 2006. A solicitação do desenvolvimento de um discurso em redor da clandestinidade encontrou no recente projecto de intervenção urbana “±” o contexto ideal para uma reflexão sobre o modo como o espaço público português é, ele mesmo, um espaço clandestino.
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Heitor Alvelos
2007.01.20